O juá (Ziziphus joazeiro Mart.), também chamado de juazeiro, é uma árvore típica do semiárido nordestino, pertencente à família Rhamnaceae.
Conhecido por sua resistência à seca e por manter-se verde, mesmo nas condições mais áridas, o juá é uma das espécies mais simbólicas da Caatinga brasileira.
Além de sua importância ecológica, é amplamente utilizado na fitoterapia tradicional e na cosmética natural, principalmente por suas propriedades antissépticas, adstringentes, anti-inflamatórias e espumantes.
Composição química e princípios ativos do juá
As diferentes partes do juá, especialmente a casca, o fruto e a raiz, contêm uma abundante variedade de compostos bioativos.
Entre os principais estão:
- Saponinas triterpênicas: responsáveis pela formação natural de espuma, com propriedades de limpeza e ação antimicrobiana.
- Taninos: com efeito adstringente e cicatrizante.
- Flavonoides (quercetina, rutina, kaempferol): antioxidantes naturais que combatem radicais livres.
- Ácidos orgânicos e açúcares redutores: contribuem para o metabolismo celular e hidratação da pele.
- Alcaloides e mucilagens: conferem propriedades emolientes e protetoras às mucosas.
Esses compostos tornam o juá uma planta de múltiplas aplicações, tanto na saúde bucal, quanto em tratamentos capilares e dermatológicos.
Propriedades medicinais e terapêuticas
O juá é tradicionalmente utilizado em diversas preparações naturais e fitoterápicas.
Entre suas principais propriedades destacam-se:
- Antisséptico e adstringente: atua na higienização da boca, combatendo bactérias causadoras de gengivite, aftas e mau hálito.
- Cicatrizante: auxilia na recuperação de ferimentos na pele e mucosas.
- Expectorante e anti-inflamatório: o chá da casca é usado para aliviar sintomas de tosses, bronquites e inflamações da garganta.
- Tônico capilar: fortalece os fios, estimula o crescimento e combate a caspa.
- Antioxidante e protetor celular: ajuda a neutralizar os radicais livres, retardando o envelhecimento cutâneo.
O uso popular do pó da casca do juá, para escovação dos dentes e limpeza dos cabelos, tem origem indígena e permanece amplamente difundido até hoje.
Usos na saúde bucal
O juá é um dos fitoterápicos mais conhecidos na odontologia popular brasileira.
O pó obtido da casca seca, quando misturado à água, libera saponinas que formam uma espuma natural, capaz de limpar, polir e proteger os dentes.
No entanto, estudos apontam que os extratos da planta possuem ação antibacteriana e antifúngica, reduzindo a formação de placa bacteriana e inflamações gengivais.
Por essa razão, o extrato de juá, é frequentemente adicionado a cremes dentais, enxaguantes bucais e pastas naturais, conferindo efeito refrescante e antisséptico.
Aplicações cosméticas e capilares
Na cosmetologia natural, o juá é amplamente utilizado em shampoos, sabonetes e loções capilares.
As saponinas da casca geram espuma suave, e limpam o couro cabeludo sem remover completamente a oleosidade natural, mantendo o equilíbrio fisiológico dos fios.
Além disso, o extrato de juá estimula a circulação no bulbo capilar, fortalecendo as raízes e auxiliando no crescimento saudável do cabelo.
Por seu poder antioxidante, também contribui para reduzir a queda capilar e restaurar o brilho natural.
Modo de uso e precauções do juá
O uso externo do juá é considerado seguro, especialmente em formulações cosméticas ou para enxagues bucais e capilares.
Entretanto, seu uso interno (como infusões ou chás concentrados) deve ser feito com cautela, pois doses elevadas de saponinas podem causar irritações gástricas.
Grávidas, lactantes e pessoas com hipersensibilidade a plantas saponáceas, devem consultar um profissional antes do uso.
Conclusão
O juá é uma planta de imenso valor medicinal, cosmético e cultural no Brasil.
De suas raízes e cascas brotam propriedades que favorecem a saúde bucal, a regeneração da pele e o fortalecimento capilar, unindo tradição e ciência.
Símbolo de resiliência do semiárido, o juá representa não apenas uma fonte natural de cura, mas também o conhecimento popular, que transforma a biodiversidade em saúde e bem-estar.
Hoje, seu uso em produtos naturais e fitoterápicos, reforça a importância de preservar e valorizar as espécies nativas da Caatinga.
Fontes:
Universidade Federal da Paraíba (UFPB), Conselho Federal de Química (CFQ) e Realize Editora




