No intricado panorama do metabolismo humano, a serina emerge como um aminoácido não essencial, ou seja, pode ser produzido pelo próprio organismo, a partir de outros compostos, como a glicina.
Apesar disso, ela desempenha funções fundamentais nas células, especialmente na síntese de proteínas, no metabolismo energético, e na manutenção do sistema nervoso.
Sua estrutura simples, porém versátil, permite que a serina, participe de diversas reações bioquímicas, que são essenciais para a saúde metabólica, muscular e cognitiva.
1. Formação da serina e proteínas e tecidos corporais
Por ser um dos aminoácidos incorporados, diretamente na construção de proteínas, a serina é indispensável para a formação de tecidos musculares, enzimáticos e estruturais.
No entanto, ela contribui para o crescimento, reparo e manutenção de células, sendo especialmente importante em períodos de recuperação física, estresse metabólico ou aumento das demandas do organismo.
2. Suporte ao sistema nervoso e função cognitiva
A serina é precursora de moléculas essenciais ao cérebro, como fosfolipídios (entre eles a fosfatidilserina), importantes para a integridade das membranas neuronais.
Por outro lado, ela também participa na formação de neurotransmissores, contribuindo para a comunicação entre as células nervosas. Por isso, é considerada relevante para processos cognitivos como memória, concentração e aprendizagem.
3. Papel da serina no metabolismo energético
Esse aminoácido participa diretamente de reações metabólicas, que envolvem a produção e o uso de energia.
Como resultado, ela contribui para o funcionamento adequado de vias celulares, que regulam o equilíbrio energético, incluindo a gliconeogênese, processo que permite ao organismo gerar glicose, a partir de outras moléculas, útil em momentos de maior demanda energética.
4. Produção de moléculas essenciais e síntese de DNA/RNA
A serina desempenha um papel central, na produção de compostos como creatina, cisteína e triptofano. Além disso, participa de vias envolvidas na síntese de nucleotídeos, que formam o DNA e o RNA.
Portanto, essa função é vital para a divisão celular, e da regeneração de tecidos, equilíbrio imunológico e processos de crescimento.
5. Saúde imunológica e equilíbrio celular
Por estar envolvida na formação de proteínas estruturais e enzimas regulatórias, a serina também auxilia na manutenção da resposta imunológica.
Provavelmente, ela pode influenciar positivamente, no funcionamento de células de defesa, e ajudar na recuperação do organismo, durante períodos de maior exigência metabólica ou inflamação.
6. Importância da serina para pele e tecidos conjuntivos
A serina também participa da produção de colágeno, e de uma série de componentes hidratantes naturais, para a manutenção e cuidados com a pele.
Por isso, é frequentemente encontrada em produtos dermocosméticos e associada à elasticidade, firmeza e integridade da barreira cutânea. Seu papel na retenção de umidade, também contribui para a saúde geral da pele.
Fontes alimentares e síntese endógena
A serina pode ser obtida através de:
Fontes Dietéticas:
- Proteínas Animais: Carnes, aves, peixes, laticínios, ovos
- Proteínas Vegetais: Soja, lentilhas, amendoim, nozes, sementes
- Suplementos: L-serina pura ou fosfatidilserina
Síntese Endógena:
O organismo produz a serina através de:
- Via da glicina serina hidroximetiltransferase (conversão de glicina)
- Via das pentoses fosfato (a partir de 3-fosfoglicerato)
Aplicações na saúde e condições associadas
Deficiência e Doenças:
A deficiência dessa substância, está associada a várias condições neurológicas:
- Deficiência de 3-fosfoglicerato desidrogenase: Erro inato do metabolismo que causa:
- Convulsões infantis
- Microcefalia progressiva
- Deficiência intelectual grave
- Doenças Neurodegenerativas: Alterações no metabolismo da serina, foram observadas na doença de Alzheimer e Parkinson
Aplicações Terapêuticas:
- Suplementação com L-serina: Estuda-se seu uso em doenças neurodegenerativas
- Fosfatidilserina: Utilizada para suporte cognitivo e melhora da memória
- Oncologia: O metabolismo da serina em células cancerosas é alvo de novas terapias
Considerações práticas
Para a maioria das pessoas saudáveis, a serina dietética combinada com a síntese endógena, é suficiente para atender às necessidades metabólicas.
No entanto, em condições de estresse metabólico, crescimento acelerado ou certas patologias, a demanda pela substância, pode exceder a capacidade de produção.
Em conclusão, a serina é um aminoácido fundamental para a produção de proteínas, saúde celular, função cognitiva, síntese de DNA/RNA e metabolismo energético. Contribui para o sistema nervoso, imunidade e integridade da pele.
Fontes:
Frontiers, Journal of Physiological Anthropology e Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da USP em pdf




