Os tão famosos fitosteróis são compostos lipídicos naturais, estruturalmente semelhantes ao colesterol humano, encontrados em membranas celulares de plantas, sementes, óleos vegetais e nozes.
Ou seja, atuam como “guardiões” da permeabilidade celular vegetal e, quando consumidos por humanos, demonstram capacidade de reduzir a absorção intestinal do colesterol dietético, através de mecanismos competitivos.
Estima-se que a dieta ocidental tradicional, forneça aproximadamente 200-300 mg de fitosteróis diários, quantidade considerada insuficiente para obter benefícios terapêuticos significativos, daí a importância da suplementação, ou consumo de alimentos fortificados para populações com dislipidemias.
No entanto, seu potencial hipocolesterolêmante é tão reconhecido, que agências regulatórias internacionais aprovam alegações de saúde específicas, para produtos enriquecidos com esses compostos.
Estrutura Química e Biodisponibilidade dos Fitosteróis
Quimicamente, os fitosteróis dividem-se em esteróis (como β-sitosterol, campesterol e estigmasterol) e estanóis (formas saturadas mais resistentes à oxidação).
No entanto, a sua estrutura molecular anelar similar ao colesterol, permite que compitam por espaço nas micelas intestinais, impedindo parcialmente a absorção do colesterol exógeno e facilitando sua excreção fecal.
Como resultado, a biodisponibilidade natural dos fitosteróis, é relativamente baixa (0,5-2%) devido à pobre solubilidade em meio aquoso e eficiente bombemento de volta para o lúmen intestinal pelas proteínas ABCG5/GB8, característica que paradoxalmente potencializa sua função redutora de colesterol.
Principais fontes alimentares:
- Óleos vegetais: óleo de milho, canola e soja;
- Sementes: gergelim, girassol e linhaça;
- Nozes e amêndoas: especialmente pistache e nozes-pecã;
- Leguminosas: feijões e lentilhas.
Mecanismos de Ação e Benefícios Cardiovasculars
O principal mecanismo de ação dos fitosteróis ocorre no trato digestivo, onde suas moléculas disputam com o colesterol dietético pela incorporação em micelas mixedas, estruturas lipídicas essenciais para a absorção intestinal de gorduras.
Ou seja, ao ocuparem espaços que seriam destinados ao colesterol, os fitosteróis promovem aumento de aproximadamente 30-50% na excreção fecal de colesterol total e LDL.
Estudos clínicos demonstram que o consumo diário de 1,5-2,4g de fitosteróis, reduz em 7-10% os níveis de LDL-colesterol em apenas 2-3 semanas, sem afetar significativamente o HDL-colesterol ou triglicerídeos.
Como resultado, além dos efeitos cardiometabólicos, pesquisas emergentes sugerem que os fitosteróis, modulam respostas imunes através da ativação de linfócitos T, e exercem atividade anti-inflamatória pela inibição da via NF-κB.
Seu potencial anticancerígeno está sendo investigado, particularmente em relação ao câncer de cólon e mama, onde parecem interferir com ciclos de proliferação celular, e induzir apoptose em linhagens tumorais.
Aplicações e Estratégias de Consumo dos Fitosteróis
Para obter benefícios significativos, a ingestão diária deve ser distribuída em 2-3 doses ao longo do dia, preferencialmente com as refeições principais que contenham fontes lipídicas, condição que maximiza a competição com colesterol dietético. As principais formas de consumo incluem:
- Alimentos fortificados: margarinas, iogurtes e leites com adição de fitosteróis;
- Suplementos: cápsulas softgel ou pós para misturar em alimentos;
- Fontes naturais concentradas: óleo de arroz e gérmen de trigo.
A ANVISA e outras agências regulatórias, recomendam consumo máximo de 3g/dia, dose além da qual não se observam benefícios adicionais.
Pacientes utilizando medicamentos hipocolesterolemiantes (como estatinas) podem potencializar seus efeitos através do consumo simultâneo de fitosteróis, estratégia que demonstra redução adicional de 10-15% no LDL-colesterol.
- Leia também sobre: Os fitoquímicos o que são?
Considerações sobre Segurança e Interações
Os fitosteróis são geralmente seguros para a população geral, mas existem considerações importantes. Indivíduos com fitosterolemia (doença rara caracterizada por acúmulo plasmático de fitosteróis), devem evitá-los completamente.
Sendo assim, estudos de longo prazo, não demonstraram toxicidade relevante, embora altas doses possam reduzir a absorção de vitaminas lipossolúveis (A, D, E, K), recomenda-se consumir fontes dessas vitaminas em horários distantes da suplementação com fitosteróis.
Gestantes, lactantes e crianças sem condições específicas, podem consumir fitosteróis através de fontes alimentares naturais, enquanto a suplementação concentrada, deve ser supervisionada por profissional de saúde.
A qualidade do produto é crucial, pois fitosteróis oxidados podem ter efeitos opostos aos desejados, armazene-os longe de luz e calor.
Fontes:
nutritotal, lume.ufrgs em pdf e ve.scielo.org




