As substâncias conhecidas como isoflavonas, são compostos fenólicos pertencentes à grande família dos flavonoides, amplamente encontrados em plantas leguminosas, especialmente na soja (Glycine max).
Elas se destacam por apresentarem atividade estrogênica, atuando como fitoestrógenos naturais, capazes de interagir com receptores hormonais humanos.
No entanto, essa característica confere às isoflavonas, um papel importante na modulação hormonal, na saúde cardiovascular, na prevenção da osteoporose e na proteção contra o estresse oxidativo.
Composição e principais tipos de isoflavonas
As principais isoflavonas encontradas na dieta humana são a genisteína, a daidzeína e a gliciteína, predominantemente presentes na soja e em seus derivados como (tofu, missô, tempeh, leite de soja).
Na planta, essas moléculas ocorrem geralmente na forma glicosilada (ligadas a açúcares), mas durante a digestão são hidrolisadas no intestino, liberando as formas ativas que o organismo pode absorver e utilizar.
Além da soja, outras fontes menores incluem grão-de-bico, ervilha, lentilha e algumas espécies de trevo e alfafa.
O conteúdo e a biodisponibilidade das isoflavonas, variam conforme o processamento e o microbioma intestinal, que influencia sua conversão em metabólitos bioativos como a equol, responsável por muitos dos efeitos fisiológicos benéficos.
Atividade estrogênica e modulação hormonal
A principal característica das isoflavonas, é sua semelhança estrutural com o hormônio estrogênio (17β-estradiol).
Essa similaridade permite que elas se liguem aos receptores estrogênicos (ERα e ERβ), modulando sua atividade, embora com potência muito inferior à dos hormônios endógenos.
Por isso, as isoflavonas são consideradas moduladores seletivos dos receptores de estrogênio (SERMs) de origem natural.
Em mulheres no climatério ou pós-menopausa, o consumo regular de isoflavonas pode reduzir ondas de calor, suores noturnos e alterações de humor, além de auxiliar na manutenção da densidade óssea.
Diferente da terapia hormonal sintética, seu efeito é equilibrado e seguro, especialmente quando consumidas em quantidades fisiológicas por meio da alimentação.
Efeitos antioxidantes e cardiovasculares
As isoflavonas também atuam como antioxidantes potentes, neutralizando radicais livres e reduzindo a oxidação de lipídios e lipoproteínas (como o LDL-colesterol).
Esse mecanismo contribui para a prevenção da aterosclerose, melhora da função endotelial e redução do risco cardiovascular.
Estudos clínicos sugerem que o consumo regular de produtos de soja, pode diminuir levemente o colesterol total e o LDL, além de melhorar marcadores inflamatórios.
A genisteína, em especial, tem efeito vasodilatador mediado pelo aumento da produção de óxido nítrico (NO) nas células endoteliais, promovendo melhor fluxo sanguíneo e controle da pressão arterial.
Saúde óssea e metabolismo
O declínio dos níveis de estrogênio após a menopausa, está diretamente relacionado à perda de massa óssea. As isoflavonas ajudam a estimular a atividade osteoblástica (formação óssea), e a inibir a reabsorção pelos osteoclastos, contribuindo para a prevenção da osteopenia e osteoporose.
Além disso, sua ação antioxidante e anti-inflamatória, auxilia na manutenção da integridade das cartilagens e articulações.
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Potencial anticancerígeno e efeitos protetores
Pesquisas também apontam para um possível papel protetor das isoflavonas, contra alguns tipos de câncer hormônio-dependentes, como o de mama e o de próstata.
A genisteína e a daidzeína, podem modular a expressão gênica e inibir enzimas envolvidas na proliferação celular, contribuindo para o equilíbrio dos processos de crescimento e apoptose.
No entanto, os efeitos variam conforme a dose, o perfil hormonal individual e a composição da microbiota intestinal, sendo necessário cuidado na extrapolação de resultados.
Uso e segurança da isoflavonas
O consumo alimentar de isoflavonas, especialmente por meio de derivados de soja fermentados, é considerado seguro e benéfico.
Suplementos concentrados devem ser utilizados com orientação profissional, pois doses elevadas ou uso prolongado, podem interferir no metabolismo hormonal, e na função tireoidiana em indivíduos sensíveis.
De modo geral, as isoflavonas representam uma alternativa natural de apoio à saúde feminina e metabólica, com respaldo científico crescente.
Em suma, as isoflavonas são compostos vegetais multifuncionais, que unem atividade hormonal moderada, ação antioxidante e efeitos protetores cardiovasculares e ósseos.
Seu consumo regular, dentro de uma dieta equilibrada, contribui para o bem-estar hormonal, o envelhecimento saudável e a redução de riscos metabólicos.
Como fitoestrógenos naturais, oferecem uma estratégia segura e fisiológica de apoio à saúde, especialmente durante o climatério e a menopausa.
Fontes:
journalhealthscience.pgsscogna, periodicos.unimesvirtual e nutritotal




